Fio B 2026 a 2029: cronograma e impacto na energia solar

Sumário

TL;DR: O Fio B é a cobrança sobre a energia que o consumidor solar injeta na rede e recupera como crédito. Em 2026 está em 60%, sobe para 75% em 2027, chega a 90% em 2028 e a partir de 2029 a ANEEL define novas regras. Quem instalou e homologou antes de 7 de janeiro de 2023 não paga Fio B e tem isenção total até 2045. O impacto no payback de novos projetos é de 1 a 2 anos a mais em relação ao cenário anterior à Lei 14.300. O sistema solar ainda compensa: mesmo com 90% de Fio B, a economia na conta de luz fica entre 70% e 85%.


O Fio B virou o assunto mais confundido do mercado de energia solar desde 2023. Muita gente ouviu que “vão taxar o sol” e ficou com medo de instalar. Outros instalaram e não sabem direito o quanto o desconto afeta a conta. E boa parte ainda não entende que existe uma data de corte clara, com impactos completamente diferentes para quem instalou antes e para quem instala agora.

A confusão é compreensível: a Lei 14.300 e a taxação do sol trouxeram uma mudança real nas regras do setor, mas o impacto é progressivo, não caiu de uma vez. Neste guia, você entende o cronograma exato ano a ano, como calcular o impacto no seu projeto e o que fazer para reduzir o efeito do Fio B no retorno do investimento.

Fio B 2026 a 2029

O que é o Fio B e por que ele existe?

O Fio B é a parcela da tarifa de uso do sistema de distribuição (TUSD) que remunera as distribuidoras de energia pelo uso da rede física: postes, cabos, transformadores e subestações. Antes da Lei 14.300/2022, quem gerava energia solar e injetava o excedente na rede recebia crédito integral, sem nenhum desconto por usar essa infraestrutura.

A nova lei entendeu que quem usa a rede para “guardar” energia solar temporariamente deve contribuir para o custeio dessa infraestrutura, e criou o Fio B como forma de cobrir esse custo de forma progressiva.

Na prática, o Fio B funciona como um pedágio pelo uso da rede: você continua gerando, injetando e recuperando créditos, mas o valor recuperado por kWh injetado é um pouco menor do que o kWh que você injetou, conforme explica a Energia Solar Explicada. O desconto incide apenas sobre a energia injetada na rede, não sobre o que você consome direto do painel durante a geração.

Qual o cronograma do Fio B de 2023 a 2029?

O cronograma do Fio B está previsto na Lei 14.300/2022 e avança em degraus de 15 pontos percentuais ao ano. Em 2023, quando a lei entrou em vigor para novos sistemas, a cobrança foi de 15%. Em 2024, subiu para 30%. Em 2025, chegou a 45%. Em 2026, está em 60%. Em 2027, vai para 75%. Em 2028, atinge 90%. A partir de 2029, a ANEEL definirá as regras definitivas com base em estudos de custos e benefícios da geração distribuída, conforme prevê o artigo 17 da lei, segundo a Canal Solar.

Um ponto importante que gera confusão: o percentual do Fio B não incide sobre o valor total da sua conta. Ele incide sobre a parcela TUSD da tarifa, apenas sobre a energia injetada. Como a TUSD representa cerca de 40% da tarifa total, e o autoconsumo direto (energia consumida na hora em que é gerada) não paga Fio B, o impacto real na conta de luz é menor do que os números percentuais sugerem.

Quem não paga o Fio B?

Quem instalou e homologou o sistema de energia solar até 6 de janeiro de 2023 tem direito adquirido às regras anteriores à Lei 14.300 e está isento do Fio B até 31 de dezembro de 2045. Isso está previsto no artigo 26 da lei e é chamado de grandfathering ou direito adquirido, segundo dados da Sol Agora. Para esse grupo, a compensação de créditos de energia funciona como net metering puro, sem nenhum desconto pelo uso da rede.

Isso cria um diferencial importante no mercado imobiliário: imóveis com sistemas solares homologados antes de janeiro de 2023 têm um ativo energético mais valioso do que sistemas equivalentes instalados depois dessa data. Vale checar a data de homologação ao comprar um imóvel com sistema solar instalado, porque isso afeta diretamente a economia que o comprador vai usufruir ao longo do tempo.

Qual o impacto real do Fio B no payback do sistema solar?

O impacto no payback é real, mas menor do que a maioria imagina. Com Fio B a 60% (2026), o payback de um sistema residencial típico aumenta de 1 a 2 anos em relação ao cenário anterior à lei, segundo análise da Energia Solar Explicada. Isso porque o desconto incide apenas sobre a energia injetada (não sobre o autoconsumo), e a TUSD representa só uma fração da tarifa total.

Na prática, a economia na conta de luz de um sistema bem dimensionado em 2026 ainda fica entre 74% e 82%, segundo dados do OPS Energia. E mesmo com Fio B chegando a 90% em 2028, a economia estimada continua entre 70% e 85%. O sistema solar ainda compensa na grande maioria dos casos, especialmente onde a tarifa da distribuidora é mais alta, como em Minas Gerais com a Cemig. Para entender os números específicos para o seu consumo, use a calculadora de energia solar.

Como o Fio B afeta quem instalou entre 2023 e 2024?

A Lei 14.300 criou subgrupos de transição com prazos diferentes. Sistemas cujo pedido de acesso foi protocolado entre 7 de janeiro de 2023 e julho de 2023 têm isenção parcial até 2030. Sistemas protocolados após julho de 2023 têm isenção parcial até 2028 e depois passam para as regras definitivas da ANEEL.

Em todos os casos, o percentual cobrado em cada ano é aquele da tabela progressiva, sem retroatividade. Quem instalou em 2024 paga 30% em 2024 (naquele ano), 45% em 2025, 60% em 2026 e assim por diante.

O efeito acumulado é que quem instalou mais cedo, ainda que depois de janeiro de 2023, capturou anos com Fio B menor. Quem instala agora em 2026 começa já com 60% e vai subindo. Por isso, do ponto de vista regulatório, instalar antes de 2027 ainda é mais vantajoso do que esperar até 2028 ou 2029, quando o Fio B chegará a 90%.

Quais estratégias reduzem o impacto do Fio B?

Três estratégias práticas ajudam a minimizar o efeito do Fio B no retorno do investimento. A primeira é maximizar o autoconsumo direto: a cobrança incide apenas sobre a energia injetada na rede, não sobre o que é consumido no momento da geração. Programar eletrodomésticos de alto consumo (máquina de lavar, lava-louça, chuveiro elétrico, bomba de piscina) para o período de maior geração solar, entre 9h e 15h, eleva o autoconsumo sem custo algum.

A segunda estratégia é o dimensionamento correto: sistemas superdimensionados geram muito excedente que vai todo para a rede e volta com desconto crescente do Fio B. Um sistema calibrado para cobrir entre 80% e 100% do consumo real, sem excedente sistemático, tem payback mais curto.

A terceira estratégia, para quem quer ir além, é o sistema híbrido com bateria: ao armazenar o excedente em vez de injetar na rede, o autoconsumo pode chegar a 60% a 70%, praticamente eliminando a base de cálculo do Fio B. Para entender quando essa opção vale o investimento adicional, veja o guia sobre bateria solar: vale a pena em 2026.

O que acontece com o Fio B a partir de 2029

O que acontece com o Fio B a partir de 2029?

A partir de 2029, a ANEEL definirá as regras definitivas com base em estudos de custos e benefícios da geração distribuída, conforme o artigo 17 da Lei 14.300. O prazo original para essa regulamentação era julho de 2024, mas o processo atrasou por demora nas diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética, segundo a Canal Solar. A expectativa do setor é que a cobrança definitiva fique em torno de 90% a 100% da TUSD Fio B, o que já está incorporado nos modelos de viabilidade dos novos projetos.

O cenário pós-2029 não inviabiliza a energia solar. Mesmo com cobrança integral do Fio B, o sistema solar continua entregando economia significativa porque a tarifa de energia sobe a cada ano, enquanto o custo do sistema já foi pago no payback. Para quem instala hoje, o que importa é que os próximos 4 a 6 anos de payback já estão calculados com Fio B crescente, e o retorno do investimento continua positivo.

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Conclusão

O Fio B é real, progressivo e afeta novos projetos a partir de 2023. Mas o impacto no payback é de 1 a 2 anos a mais, não de inviabilização do investimento. Quem instalou antes de janeiro de 2023 está isento até 2045. Quem instala agora precisa considerar o Fio B no cálculo, maximizar o autoconsumo e, se tiver consumo muito noturno, avaliar um sistema com bateria.

Em Minas Gerais, com a tarifa Cemig em torno de R$ 0,93/kWh, o sistema solar com Fio B de 60% ainda entrega payback entre 4 e 6 anos na maioria dos casos. E cada ano que passa com Fio B subindo é um ano a mais pagando conta cheia.

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Perguntas Frequentes

Qual o percentual do Fio B em 2026?

Em 2026, o Fio B está em 60% da parcela TUSD da tarifa sobre a energia injetada na rede. O cronograma previsto na Lei 14.300/2022 é: 75% em 2027, 90% em 2028 e regras a serem definidas pela ANEEL a partir de 2029.

Quem está isento do Fio B?

Consumidores que instalaram e homologaram seus sistemas de energia solar até 6 de janeiro de 2023 têm direito adquirido às regras anteriores e estão isentos do Fio B até 31 de dezembro de 2045. Sistemas instalados após essa data pagam o Fio B progressivo conforme o cronograma da Lei 14.300.

O Fio B inviabiliza o investimento em energia solar?

Não. Mesmo com Fio B a 60% em 2026, a economia na conta de luz de um sistema bem dimensionado fica entre 74% e 82%. O impacto no payback é de 1 a 2 anos a mais em relação ao cenário anterior à lei. Com Fio B chegando a 90% em 2028, a economia ainda fica entre 70% e 85%.

Como reduzir o impacto do Fio B?

A estratégia mais simples é maximizar o autoconsumo direto, consumindo mais energia durante o horário de geração solar (9h às 15h), pois o Fio B incide apenas sobre a energia injetada na rede. Sistemas com bateria podem elevar o autoconsumo para 60% a 70%, praticamente eliminando a base de cálculo do Fio B.

O que muda com o Fio B a partir de 2029?

A partir de 2029, a ANEEL definirá as regras definitivas de valoração da energia gerada por sistemas de geração distribuída. O processo ainda não foi concluído. A expectativa do setor é que a cobrança definitiva fique próxima de 90% a 100% da TUSD Fio B, cenário que já é considerado nos modelos de viabilidade dos novos projetos instalados hoje.


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